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Brasil e Bolívia decidem "virar a página das desavenças"

25/08/2006 às 14:37

Brasil e Bolívia decidem "virar a página das desavenças"





Brasil e Bolívia decidiram "virar a página das desavenças" e retomar as negociações sobre o preço do gás e a situação da Petrobras no país andino, afirmou o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera.

Em uma rápida visita oficial a Brasília, García Linera reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com os ministros de Energia, Silas Rondeau, e de Relações Exteriores, Celso Amorim, e com diretores da Petrobras.

Segundo afirmou em entrevista coletiva após as reuniões, ficou clara a "vontade de virar a página das desavenças ou desencontros que possam ter existido" para entrar em uma nova fase de acordos que favoreçam o desenvolvimento de ambos os países.

As relações entre Brasil e Bolívia se azedaram desde o último dia 1º de maio, quando o presidente boliviano, Evo Morales, anunciou o decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos em uma unidade da Petrobras ocupada previamente por soldados do Exército.

A estatal brasileira, com investimentos de cerca de US$ 1,5 bilhão na Bolívia, foi uma das mais prejudicadas pelo decreto e desde então foi o centro de polêmicas entre representantes dos dois países.

"Talvez o ponto central das discussões tenha sido os assuntos energéticos", declarou García Linera.

Em relação às negociações sobre a situação da Petrobras, disse que houve um consenso de que se trata de um assunto que deve ser resolvido "entre empresas", se referindo à estatal brasileira e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).

No entanto, ele esclareceu que as discussões "devem ter e terão um acompanhamento político e jurídico".

Segundo García Linera, a equipe negociadora boliviana será supervisionada por ele e contará com diretores da YPFB e pelos ministros de Hidrocarbonetos, da Presidência, do Planejamento e da Fazenda.

Apesar de a Petrobras ter sido alvo de duras críticas dos integrantes do Governo de Morales, García Linera afirmou que a empresa brasileira é "uma sócia estratégica" da Bolívia, com a qual existe a pretensão de trabalhar em "processos de integração energética" que sejam favoráveis para os dois países e para o resto da América do Sul.

Entre os itens que constarão na ampla negociação retomada "imediatamente", o vice-presidente boliviano afirmou que estarão os preços do gás que o Brasil compra da Bolívia, que serão analisados em acordos "duradouros".

O hidrocarboneto boliviano chega ao Brasil através de um gasoduto operado pela Petrobras, pelo qual circulam diariamente cerca de 24 milhões de metros cúbicos de gás natural - quase 60% da demanda brasileira.

O Brasil é o maior importador de gás boliviano e atualmente paga US$ 3,40 por milhão de BTU (unidade térmica britânica), porém o Governo de Morales considera o preço insuficiente e pretende aumentá-lo para até US$ 5, como foi acordado com a Argentina em junho.

García Linera disse que sua visita ao Brasil teve o objetivo de "definir o marco geral" das relações bilaterais.

Nesse sentido, afirmou que retorna a La Paz "profundamente satisfeito" e confiante de que a situação da Petrobras, assim como a de outras empresas, será definida antes de novembro, quando vence o prazo dado pelo decreto de nacionalização para a regularização das companhias que operam na área energética boliviana.

García Linera disse que considera desnecessária uma possível ampliação deste prazo, embora tenha admitido que nem todas as negociações avançam com a mesma rapidez nem com "a rapidez desejada".



Fonte: Agencia EFE

Fonte: fonte: Agencia EFE

 

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