Instalações criminosas de GNV em veículos levam a acidentes graves,e são previsiveis
28/08/2006 às 11:18
O desrespeito a lei pode ser perigoso e dispendioso, o imprudente proprietário da Ford Ranger imaginou estar economizando algum dinheiro ao instalar em seu veículo um botijão de gás GLP (Gás Liquefeito de Petróleo ou gas de cozinha, como é mais conhecido), para uso em empilhadeira e cozinhas profissionais no lugar de um cilindro específico para gás natural veicular-GNV, que é comprimido a 220 bar (22 MPa) durante o abastecimento.
O botijão foi fabricado para trabalhar de 18 a 32 bar (1,8 a 3,2 MPa) o que torna perigoso e impossível de aplica-lo para o uso com gás natural veicular e, talvez, a economia financeira não justifique, sendo que a diferença não ultrapassa o quinhentos reais comprando o valor entre dois cilindros novos.
Sendo impossível compreender os motivos que levam alguém a arriscar tanto, sendo que é certeza que ocorrerá um acidente de grande monta durante o abastecimento, não há como não estourar um botijão de GLP quando submetido a pressão tão elevada, doze vezes maior do que a projeta para o gás de cozinha.
A prática de tal ato é suicida ou atentado contra a segurança civil ou mesmo atentado homicida. Sei que é difícil tipificá-la como crime porém a Responsabilidade Civil deve ser cobrada dos responsáveis.
O mercado de instalação de gás natural para uso em veículos é regulado por portarias do INMETRO e resolução do DENATRAN, sendo que as oficinas mecânicas que fazem estas instalações são muito bem fiscalizadas pelo IPEM-SP, sendo seus mecânicos treinados e sabedores das severas condições de trabalho do sistema de GNV, onde todo cuidado é pouco.
Além disso, para que seja o veículo licenciado na condição de movido a gás natural deve apresentar notas fiscais do produto instalado e da mão de obra, o que torna facilmente identificável a oficina instaladora e o equipamento instalado. Sendo possível inclusive rastrear estes componentes ao longo dos anos.
Quando alguém burla todos esses cuidados e consegue colocar seu veículo no dispenser (bomba) de abastecimento, conseguiu um intento criminoso, elaborado e construído com detalhes complexos, teve de pensar em como camuflar os componentes mais visíveis de forma a que o frentista do posto não visse e se recusasse a abastecer, bem como tirando-lhe toda a chance de defender-se de uma lesão grave ou fatal, lesando, ainda, o patrimônio e colocando a vida de terceiros em grande risco, quase que um ato terrorista.
Qual o interesse de alguém em provocar tamanho estrago?
Acreditamos que seja a avareza.
Antes de alterar ou fazer uma instalação de equipamentos de gás natural veicular consulte o IPEM-SP ou o INMETRO. A Associação Brasileira do Gás Natural Veicular-ABgnv está a disposição da sociedade brasileira para informar e orientar sobre instalações e reparos em instalações veiculares para o uso do gás natural (GNV), pelo fone 5591 6100 ou pelo site: www.abgnv.org.br.
Fonte: Maurício Brazoli -Presidente da ABgnv